A Vida de Jesus Cristo


Biografia de Jesus pelo Novo Testamento
     Grande parte do que é conhecido sobre a vida e os ensinamentos de Jesus é contado pelos Evangelhos canônicos: Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, pertencentes ao Novo Testamento da Bíblia. Os Evangelhos apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados a Jesus.
     Esses Evangelhos narram os fatos mais importantes da vida de Jesus. Os Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos seguintes. As Epístolas (ou cartas) de Paulo também citam fatos sobre Jesus.

Genealogia de Jesus - Mt 1,1-17
     1.Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2.Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3.Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão. 4.Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. 5.Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi.
     6.O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. 7.Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8.Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. 9.Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10.Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. 11.Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia.
     12.E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13.Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor. 14.Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud. 15.Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16.Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
     17.Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações.

Genealogia de Jesus - Lc 3,23-38
     23.Quando Jesus começou o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, e era tido por filho de José, filho de Heli, filho de Matat, 24.filho de Levi, filho de Melqui, filho de Jané, filho de José, 25.filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Hesli, filho de Nagé, 26.filho de Maat, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Judá, 27.filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, 28.filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadão, filho de Her, 29.filho de Jesus, filho de Eliezer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi, 30.filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonão, filho de Eliacim, 31.filho de Meléia, filho de Mena, filho de Matata, filho de Natã, filho de Davi, 32.filho de Jessé, filho de Obed, filho de Booz, filho de Salmon, filho de Naason, 33.filho de Aminadab, filho de Arão, filho de Esron, filho de Farés, filho de Judá, 34.filho de Jacó, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Taré, filho de Nacor, 35.filho de Sarug, filho de Ragau, filho de Faleg, filho de Eber, filho de Salé, 36.filho de Cainã, filho de Arfaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec, 37.filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaleel, filho de Cainã, 38.filho de Henós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.

Anúncio do nascimento de João - Lc 1,5-25
     5.Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. 6.Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7.Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada.
     8.Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe, 9.coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume. 10.Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume. 11.Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume. 12.Vendo-o, Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o. 13.Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. 14.Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; 15.porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo; 16.ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, 17.e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto. 18.Zacarias perguntou ao anjo: Donde terei certeza disto? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada. 19.O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova. 20.Eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, visto que não deste crédito às minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo.
     21.No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário. 22.Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo.
     23.Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa. 24.Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo: 25.Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens.

Anúncio do nascimento de Jesus - Lc 1,26-38
     26.No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27.a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28.Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29.Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30.O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31.Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32.Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33.e o seu reino não terá fim. 34.Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35.Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36.Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37.porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38.Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

Maria visita Isabel - Lc 1,39-56
     39.Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. 40.Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41.Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42.E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43.Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? 44.Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. 45.Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
     46.E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, 47.meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48.porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49.porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50.Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51.Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52.Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53.Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54.Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55.conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 56.Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

José aceita Maria - Mt 1,19-24
     19.José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20.Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21.Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.
     22.Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23.Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco. 24.Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.

Nascimento de Jesus - Lc 2,1-20
     1.Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. 2.Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. 3.Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. 4.Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, 5.para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. 6.Estando eles ali, completaram-se os dias dela. 7.E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
     8.Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. 9.Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. 10.O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: 11.hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. 12.Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. 13.E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: 14.Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).
     15.Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou. 16.Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. 17.Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. 18.Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. 19.Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. 20.Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.

Circuncisão de Jesus e primeira visita ao Templo - Lc 2,21-40
     21.Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.
     22.Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23.conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor; 24.e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
     25.Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26.Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27.Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28.tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29.Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30.Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31.que preparastes diante de todos os povos, 32.como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
     33.Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34.Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, 35.a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
     36.Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37.Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. 38.Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
     39.Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. 40.O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

Visita dos magos - Mt 2,1-12
     1.Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. 2.Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
     3.A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele. 4.Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo. 5.Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta: 6.E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo.
     7.Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido. 8.E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
     9.Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. 10.A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
     11.Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12.Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.

Fuga para o Egito e massacre dos inocentes - Mt 2,13-18
     13.Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. 14.José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. 15.Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho.
     16.Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. 17.Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18.Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem mais!

Volta do Egito - Mt 2,19-23
     19.Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: 20.Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino. 21.José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. 22.Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judéia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galiléia 23.e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno.

Jesus visita o Templo - Lc 2,41-52
     41.Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. 42.Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. 43.Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. 44.Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. 45.Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. 46.Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47.Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. 48.Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. 49.Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? 50.Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera.
     51.Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. 52.E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.

Ministério de João - Jo 1,19-28
     19.Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu? 20.Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo.
     21.Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o profeta? Ele respondeu: Não. 22.Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? 23.Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías.
     24.Alguns dos emissários eram fariseus. 25.Continuaram a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26.João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. 27.Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.
     28.Este diálogo se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Jesus é batizado - Mt 3,13-17
     13.Da Galiléia foi Jesus ao rio Jordão se encontrar com João, a fim de ser batizado por ele. 14.João recusava-se: Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim! 15.Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa. Então João cedeu.
     16.Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. 17.E do céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição.

Jesus é tentado - Mt 4,1-11
     1.Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. 2.Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. 3.O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. 4.Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
     5.O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: 6.Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra. 7.Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
     8.O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: 9.Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. 10.Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.
     11.Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

Jesus chama os primeiros discípulos - Jo 1,35-51
     35.No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos. 36.E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus. 37.Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. 38.Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? 39.Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
     40.André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido. 41.Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo). 42.Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra).
     43.No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me. 44.(Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.) 45.Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José. 46.Respondeu-lhe Natanael: Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e vê.
     47.Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz: Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade. 48.Natanael pergunta-lhe: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira. 49.Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel. 50.Jesus replicou-lhe: Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta. 51.E ajuntou: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.

Primeiro milagre - Jo 2,1-12
     1.Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. 2.Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
     3.Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. 4.Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. 5.Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
     6.Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. 7.Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima. 8.Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
     9.Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo 10.e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
     11.Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele. 12.Depois disso, desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ali só demoraram poucos dias.

Purificação do Templo - Jo 2,13-25
     13.Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
     14.Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. 15.Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. 16.Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. 17.Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome.
     18.Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo? 19.Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. 20.Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?! 21.Mas ele falava do templo do seu corpo. 22.Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
     23.Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. 24.Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. 25.Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.

Jesus instrui Nicodemos - Jo 3,1-21
     1.Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. 2.Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele. 3.Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
     4.Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez? 5.Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. 6.O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. 7.Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo. 8.O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
     9.Replicou Nicodemos: Como se pode fazer isso? 10.Disse Jesus: És doutor em Israel e ignoras estas coisas!... 11.Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho. 12.Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais?
     13.Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu. 14.Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, 15.para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
     16.Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17.Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18.Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
     19.Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. 20.Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. 21.Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.

Ministério paralelo de João Batista - Jo 3,22-30
     22.Em seguida, foi Jesus com os seus discípulos para os campos da Judéia, e ali se deteve com eles, e batizava. 23.Também João batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e eram batizados. 24.Pois João ainda não tinha sido lançado no cárcere.
     25.Ora, surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, a respeito da purificação. 26.Foram e disseram-lhe: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo que está batizando e todos vão ter com ele...
     27.João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu. 28.Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele. 29.Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa. 30.Importa que ele cresça e que eu diminua.

Mulher samaritana no poço de Jacó - Jo 4,1-42
     1.O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos que João 2.(se bem que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos). 3.Deixou a Judéia e voltou para a Galiléia. 4.Ora, devia passar por Samaria. 5.Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6.Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.
     7.Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8.(Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) 9.Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) 10.Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.
     11.A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? 12.És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? 13.Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, 14.mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna. 15.A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!
     16.Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá. 17.A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido. 18.Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade. 19.Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!... 20.Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar.
     21.Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. 22.Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23.Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. 24.Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade. 25.Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas. 26.Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo.
     27.Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela? 28.A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: 29.Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo? 30.Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus.
     31.Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come. 32.Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. 33.Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer? 34.Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra. 35.Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa. 36.O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão. 37.Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa. 38.Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos.
     39.Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. 40.Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. 41.Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras. 42.E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo.

Segundo milagre - Jo 4,43-54
     43.Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galiléia. 44.(Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua pátria.) 45.Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à festa.
     46.Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente. 47.Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer. 48.Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes... 49.Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra! 50.Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu. 51.Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe disseram: Teu filho está passando bem. 52.Indagou então deles a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou. 53.Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa.
     54.Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar da Judéia para a Galiléia.

Pescadores de homens - Mt 4,18-25
     18.Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 19.E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens. 20.Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram. 21.Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os, 22.e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.
23.Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. 24.Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos. 25.Grandes multidões acompanharam-no da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e dos países do outro lado do Jordão.

Cura da sogra de Pedro e outros - Mc 1,29-34
     29.Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André. 30.A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela. 31.Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.
     32.À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio. 33.Toda a cidade estava reunida diante da porta. 34.Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam.

Cura do leproso e do paralítico - Lc 5,12-26
     12.Estando ele numa cidade, apareceu um homem cheio de lepra. Vendo Jesus, lançou-se com o rosto por terra e lhe suplicou: Senhor, se queres, podes limpar-me. 13.Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero; sê purificado! No mesmo instante desapareceu dele a lepra. 14.Ordenou-lhe Jesus que o não contasse a ninguém, dizendo-lhe, porém: Vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho. 15.Entretanto, espalhava-se mais e mais a sua fama e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades. 16.Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar.
     17.Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas. 18.Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele. 19.Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus. 20.Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
     21.Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus? 22.Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações? 23.Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? 24.Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 25.No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus. 26.Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.

Jesus chama Mateus - Lc 5,27-32
     27.Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me. 28.Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu. 29.Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles. 30.Os fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida? 31.Respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos. 32.Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores.

Jesus e a multidão - Mc 3,7-12
     7.Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão, vinda da Galiléia. 8.E da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidônia veio a ele uma grande multidão, ao ouvir o que ele fazia. 9.Ele ordenou a seus discípulos que lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não o comprimisse. 10.Curou a muitos, de modo que todos os que padeciam de algum mal se arrojavam a ele para o tocar. 11.Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus! 12.Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

Os doze apóstolos - Lc 6,12-16
     12.Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. 13.Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: 14.Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, 15.Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador; 16.Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.

Sermão da montanha - Mt 5,1-12
     1.Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. 2.Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: 3.Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! 4.Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! 5.Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! 6.Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! 7.Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! 8.Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! 9.Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! 10.Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! 11.Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. 12.Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

Pai nosso - Mt 6,7-15
     7.Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8.Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
     9.Eis como deveis rezar: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; 10.venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11.Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia; 12.perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; 13.e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
     14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15.Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.

Cura do servo do centurião - Lc 7,1-10
     1.Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. 2.Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte. 3.Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar. 4.Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor, 5.pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga. 6.Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7.por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado. 8.Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz. 9.Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. 10.Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

Jesus ressuscita o filho da viúva - Lc 7,11-17
     11.No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo. 12.Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. 13.Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! 14.E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te. 15.Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe. 16.Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo. 17.A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a redondeza.

Jesus na casa de Simão, o fariseu - Lc 7,36-50
    
36.Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. 37.Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; 38.e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
39.Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. 40.Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele.
41.Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. 42.Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais? 43.Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. 44.E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. 45.Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. 46.Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. 47.Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. 48.E disse a ela: Perdoados te são os pecados. 49.Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? 50.Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.

Jesus exorciza demônios - Mc 5,1-20
    
1.Passaram à outra margem do lago, ao território dos gerasenos. 2.Assim que saíram da barca, um homem possesso do espírito imundo saiu do cemitério 3.onde tinha seu refúgio e veio-lhe ao encontro. Não podiam atá-lo nem com cadeia, mesmo nos sepulcros, 4.pois tinha sido ligado muitas vezes com grilhões e cadeias, mas os despedaçara e ninguém o podia subjugar. 5.Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6.Vendo Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz: 7.Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus, que não me atormentes. 8.É que Jesus lhe dizia: Espírito imundo, sai deste homem! 9.Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10.E pediam-lhe com instância que não os lançasse fora daquela região. 11.Ora, uma grande manada de porcos andava pastando ali junto do monte. 12.E os espíritos suplicavam-lhe: Manda-nos para os porcos, para entrarmos neles. 13.Jesus lhos permitiu. Então os espíritos imundos, tendo saído, entraram nos porcos; e a manada, de uns dois mil, precipitou-se no mar, afogando-se. 14.Fugiram os pastores e narraram o fato na cidade e pelos arredores. Então saíram a ver o que tinha acontecido. 15.Aproximaram-se de Jesus e viram o possesso assentado, coberto com seu manto e calmo, ele que tinha sido possuído pela Legião. E o pânico apoderou-se deles. 16.As testemunhas do fato contaram-lhes como havia acontecido isso ao endemoninhado, e o caso dos porcos. 17.Começaram então a rogar-lhe que se retirasse da sua região. 18.Quando ele subia para a barca, veio o que tinha sido possesso e pediu-lhe permissão de acompanhá-lo. 19.Jesus não o admitiu, mas disse-lhe: Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti. 20.Foi-se ele e começou a publicar, na Decápole, tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.

Jesus cura a mulher com sangramento - Mc 5,21-34
    
21.Tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando 22.um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se-lhe aos pés, 23.rogando-lhe com insistência: Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva. 24.Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o. 25.Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue. 26.Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. 27.Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. 28.Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada. 29.Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. 30.Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: Quem tocou minhas vestes? 31.Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou? 32.E ele olhava em derredor para ver quem o fizera. 33.Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade. 34.Mas ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.

Jesus ressuscita a filha de Jairo - Mc 5,35-43
    
35.Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre? 36.Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: Não temas; crê somente. 37.E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 38.Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, viu o alvoroço e os que estavam chorando e fazendo grandes lamentações. 39.Ele entrou e disse-lhes: Por que todo esse barulho e esses choros? A menina não morreu. Ela está dormindo. 40.Mas riam-se dele. Contudo, tendo mandado sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que levava consigo, e entrou onde a menina estava deitada. 41.Segurou a mão da menina e disse-lhe: Talita cumi, que quer dizer: Menina, ordeno-te, levanta-te! 42.E imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar (pois contava doze anos). Eles ficaram assombrados. 43.Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse, e mandou que lhe dessem de comer.


Família de Jesus - Mt 12,46-50
     46.Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. 47.Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te. 48.Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? 49.E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 50.Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Parábolas de Jesus - Mt 13,1-52
     1.Naquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago. 2.Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem. 3.E seus discursos foram uma série de parábolas. 4.Disse ele: Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. 5.Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. 6.Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes. 7.Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. 8.Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. 9.Aquele que tem ouvidos, ouça.
     10.Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas? 11.Respondeu Jesus: Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. 12.Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem. 13.Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. 14.Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, 15.porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare. 16.Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! 17.Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram.
     18.Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador: 19.quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho. 20.O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida, 21.mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda. 22.O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa. 23.A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um.
     24.Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25.Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. 26.O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. 27.Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28.Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29.- Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. 30.Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.
     31.Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. 32.É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos.
     33.Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa.
     34.Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava, 35.para que se cumprisse a profecia: Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação.
     36.Então despediu a multidão. Em seguida, entrou de novo na casa e seus discípulos agruparam-se ao redor dele para perguntar-lhe: Explica-nos a parábola do joio no campo. 37.Jesus respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38.O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. 39.O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. 40.E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. 41.O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal 42.e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. 43.Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça.
     44.O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
     45.O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. 46.Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.
     47.O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. 48.Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. 49.Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos 50.e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.
     51.Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles. 52.Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.

Jesus apazigua a tempestade - Lc 8,22-25
     22.Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram. 23.Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo. 24.Aproximaram-se dele então e o despertaram com este grito: Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo! Levantou-se ele e ordenou aos ventos e à fúria da água que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. 25.Perguntou-lhes, então: Onde está a vossa fé? Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?

Envio dos doze - Lc 9,1-6
     1.Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades. 2.Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3.Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas. 4.Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade. 5.Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés. 6.Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.

Herodes decapita João Batista - Mc 6,14-29
     14.O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara célebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele. 15.Uns afirmavam: É Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro. 16.Ouvindo isto, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou!
     17.Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. 18.João tinha dito a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão. 19.Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém. 20.Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.
     21.Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia. 22.A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23.E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino. 24.Ela saiu e perguntou à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista. 25.Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista. 26.O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar. 27.Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere, 28.trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe. 29.Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.

Jesus alimenta 5000 - Mt 14,13-21
     13.Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé. 14.Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes.
     15.Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia. 16.Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer. 17.Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. 18.Tragam isso aqui, disse-lhes Jesus. 19.Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo. 20.Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. 21.Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.

Jesus anda sobre a água - Mt 14,22-33
     22.Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia a multidão. 23.Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho. 24.Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
     25.Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre o mar. 26.Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: É um fantasma! disseram eles, soltando gritos de terror. 27.Mas Jesus logo lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!
     28.Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti! 29.Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. 30.Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me! 31.No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
     32.Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou. 33.Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu és verdadeiramente o Filho de Deus.

Jesus, a Ressurreição e a Vida - Jo 6,37-40
     37.Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora. 38.Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39.Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia. 40.Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Jesus, o Pão da Vida - Jo 6,41-59
     41.Murmuravam então dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. 42.E perguntavam: Porventura não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? 43.Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. 44.Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia. 45.Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim. 46.Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai. 47.Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. 48.Eu sou o pão da vida. 49.Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. 50.Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. 51.Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. 52.A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? 53.Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 55.Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57.Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58.Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. 59.Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.

Profissão de fé de Pedro - Mt 16,13-20
    
13.Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? 14.Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. 15.Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? 16.Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! 17.Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. 18.E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19.Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. 20.Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.

Transfiguração de Jesus - Lc 9,28-36
     28.Passados uns oito dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. 29.Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 30.E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias, 31.que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém. 32.Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia. 33.Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia. 34.Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor. 35.Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o! 36.E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.

Jesus perdoa a mulher adultera - Jo 8,1-11
     1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.

Jesus, a luz do mundo - Jo 8,12-20
     12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou. 17.Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé. 18.Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também. 19.Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai.
     20.Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

Cura do cego de nascença - Jo 9,1-41
     1.Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. 2.Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? 3.Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus. 4.Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar. 5.Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. 6.Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego. 7.Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.
     8.Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto mendigar perguntavam: Não é este aquele que, sentado, mendigava? 9.Respondiam alguns: É ele. Outros contestavam: De nenhum modo, é um parecido com ele. Ele, porém, dizia: Sou eu mesmo. 10.Perguntaram-lhe, então: Como te foram abertos os olhos? 11.Respondeu ele: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo. 12.Interrogaram-no: Onde está esse homem? Respondeu: Não o sei. 13.Levaram então o que fora cego aos fariseus. 14.Ora, era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. 15.Os fariseus indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo. 16.Diziam alguns dos fariseus: Este homem não é o enviado de Deus, pois não guarda sábado. Outros replicavam: Como pode um pecador fazer tais prodígios? E havia desacordo entre eles. 17.Perguntaram ainda ao cego: Que dizes tu daquele que te abriu os olhos? É um profeta, respondeu ele.
     18.Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais. 19.E os interrogaram: É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê? 20.Seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. 21.Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique. 22.Seus pais disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo. 23.Por isso é que seus pais responderam: Ele tem idade, perguntai-lho.
     24.Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador. 25.Disse-lhes ele: Se esse homem é pecador, não o sei... Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo. 26.Perguntaram-lhe ainda uma vez: Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos? 27.Respondeu-lhes: Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?... 28.Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29.Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é. 30.Respondeu aquele homem: O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos. 31.Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade. 32.Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33.Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada. 34.Responderam-lhe eles: Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?... E expulsaram-no.
     35.Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem? 36.Respondeu ele: Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele? 37.Disse-lhe Jesus: Tu o vês, é o mesmo que fala contigo! 38.Creio, Senhor, disse ele. E, prostrando-se, o adorou. 39.Jesus então disse: Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos. 40.Alguns dos fariseus, que estavam com ele, ouviram-no e perguntaram-lhe: Também nós somos, acaso, cegos?... 41.Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste.

Parábola do bom pastor - Jo 10,1-21
     1.Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. 2.Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3.A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. 4.Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. 5.Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6.Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
     7.Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. 8.Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. 9.Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem. 10.O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.
     11.Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas. 12.O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas. 13.O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
     14.Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, 15.como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. 16.Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. 17.O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. 18.Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.
     19.A propósito dessas palavras, originou-se nova divisão entre os judeus. 20.Muitos deles diziam: Ele está possuído do demônio. Ele delira. Por que o escutais vós? 21.Outros diziam: Estas palavras não são de quem está endemoninhado. Acaso pode o demônio abrir os olhos a um cego?

Missão dos setenta e dois - Lc 10,1-24
     1.Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2.Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. 3.Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4.Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5.Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! 6.Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. 7.Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. 8.Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9.Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo. 10.Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei: 11.Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo. 12.Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma.
     13.Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza. 14.Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós. 15.E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos. 16.Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
     17.Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome! 18.Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio. 19.Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo. 20.Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus.
     21.Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado. 22.Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 23.E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, 24.pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

Parábola do bom samaritano - Lc 10,25-37
     25.Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna? 26.Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês? 27.Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo. 28.Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás. 29.Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? 30.Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31.Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. 32.Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. 33.Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. 34.Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. 35.No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei. 36.Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? 37.Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.

Hospitalidade de Marta e Maria - Lc 10,38-42
     38.Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. 39.Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. 40.Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. 41.Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; 42.no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.

Jesus censura os fariseus e os escribas - Lc 11,37-54
     37.Enquanto Jesus falava, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar em sua companhia. Ele entrou e pôs-se à mesa. 38.Admirou-se o fariseu de que ele não se tivesse lavado antes de comer. 39.Disse-lhe o Senhor: Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade! 40.Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o conteúdo? 41.Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas. 42.Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas. 43.Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas e das saudações nas praças públicas! 44.Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber.
     45.Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. 46.Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos. 47.Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram. 48.Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. 49.Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros. 50.E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, 51.desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração! 52.Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar.
     53.Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas, 54.armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca.

A figueira estéril - Lc 13,6-9
     6.Então Jesus contou esta parábola: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. 7.Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? 8.Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. 9.Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás.

O pecado - Mt 18,15-20
     15.Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. 16.Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. 17.Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. 18.Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. 19.Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. 20.Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Parábola do credor incompassivo - Mt 18,21-35
     21.Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? 22.Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23.Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos. 24.Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25.Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida. 26.Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo! 27.Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida. 28.Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves! 29.O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! 30.Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida. 31.Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado. 32.Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. 33.Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? 34.E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. 35.Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.

Parábola da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo - Lc 15,1-32
     1.Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2.Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
3.Então lhes propôs a seguinte parábola: 4.Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5.E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, 6.e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. 7.Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
     8.Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la? 9.E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido. 10.Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
     11.Disse também: Um homem tinha dois filhos. 12.O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. 13.Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. 14.Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. 15.Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. 16.Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17.Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome! 18.Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; 19.já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. 20.Levantou-se, pois, e foi ao encontro do pai.
     Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21.O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22.Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. 23.Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. 24.Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
     25.O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26.Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. 27.Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. 28.Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. 29.Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. 30.E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! 31.Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32.Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

Parábola do mordomo infiel e do rico e Lázaro - Lc 16,1-31
     1.Jesus disse também a seus discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens. 2.Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens. 3.O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha. 4.Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego. 5.Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão? 6.Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta. 7.Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta. 8.E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes.
     9.Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos. 10.Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes. 11.Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? 12.E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13.Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
     14.Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele. 15.Jesus disse-lhes: Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus. 16.A lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para aí entrar. 17.Mais facilmente, porém, passará o céu e a terra do que se perderá uma só letra da lei. 18.Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também.
     19.Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. 20.Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. 21.Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. 22.Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23.E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. 24.Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. 25.Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. 26.Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. 27.O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, 28.para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. 29.Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! 30.O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. 31.Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

Ressurreição de Lázaro - Jo 11,1-54
     1.Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta. 2.Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão. 3.Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo. 4.A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus. 5.Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. 6.Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar. 7.Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia. 8.Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
     9.Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10.Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz. 11.Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo. 12.Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar. 13.Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal. 14.Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu. 15.Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele. 16.A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
     17.À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. 18.Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios. 19.Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão. 20.Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
     21.Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! 22.Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá. 23.Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá. 24.Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia. 25.Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. 26.E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? 27.Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
     28.A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama. 29.Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. 30.Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.
     31.Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
     32.Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! 33.Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, 34.perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver. 35.Jesus pôs-se a chorar. 36.Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava! 37.Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
     38.Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. 39.Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí... 40.Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra. 41.Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. 42.Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. 43.Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! 44.E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
     45.Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46.Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara. 47.Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. 48.Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. 49.Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! 50.Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação. 51.E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, 52.e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos. 53.E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida. 54.Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.

Cura de dez leprosos - Lc 17,11-19
     11.Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia. 12.Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando: 13.Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! 14.Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados. 15.Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz. 16.Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano. 17.Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? 18.Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?! 19.E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.

Parábola do juiz iníquo e do fariseu e o publicano - Lc 18,1-14
     1.Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. 2.Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. 3.Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário. 4.Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5.todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar. 6.Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto? 7.Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? 8.Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?
     9.Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros: 10.Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. 11.O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. 12.Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. 13.O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! 14.Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.

Jesus abençoa as crianças - Mt 19,13-15
     13.Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam. 14.Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham. 15.E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.

O jovem rico - Mt 19,16-30
     16.Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus: 17.Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. 18.Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, 19.honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo. 20.Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda? 21.Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! 22.Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.
     23.Jesus disse então aos seus discípulos: Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus! 24.Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. 25.A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se? 26.Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.
     27.Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? 28.Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29.E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna. 30.Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros.

Parábola dos trabalhadores na vinha - Mt 20,1-16
     1.Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. 2.Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. 3.Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. 4.Disse-lhes ele: - Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário. 5.Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo. 6.Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: - Por que estais todo o dia sem fazer nada? 7.Eles responderam: - É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: - Ide vós também para minha vinha. 8.Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: - Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. 9.Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. 10.Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário. 11.Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: 12.- Os últimos só trabalharam uma hora... e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. 13.O senhor, porém, observou a um deles: - Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? 14.Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. 15.Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom? 16.Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. [Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.]

Cura do cego Bartimeu - Mc 10,46-52
     46.Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. 47.Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!" 48.Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!" 49.Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama." 50.Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. 51.Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja! 52.Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.

Zaqueu, o publicano - Lc 19,1-10
     1.Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. 2.Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. 3.Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. 4.Ele correu adiande, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali. 5.Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa. 6.Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. 7.Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador... 8.Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo. 9.Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão. 10.Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Parábola das minas - Lc 19,11-27
     11.Ouviam-no falar. E como estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola: 12.Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar. 13.Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar. 14.Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós. 15.Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado. 16.Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas. 17.Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades. 18.Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas. 19.Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades. 20.Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; 21.pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. 22.Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei... 23.Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros. 24.E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. 25.Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!... 26.Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem. 27.Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.

Entrada triunfal em Jerusalém - Mt 21,1-11
     1.Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, 2.dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos. 3.Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá. 4.Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta: 5.Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo. 6.Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus. 7.Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar. 8.Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. 9.E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! 10.Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? 11.A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.

Purificação do Templo - Mt 21,12-17
     12.Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, 13.e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração, mas vós fizestes dela um covil de ladrões!
     14.Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou, 15.com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi! 16.Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor? 17.Depois os deixou e saiu da cidade para hospedar-se em Betânia.

A figueira seca - Mt 21,18-22
     18.De manhã, voltando à cidade, teve fome. 19.Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e disse-lhe: Jamais nasça fruto de ti! 20.E imediatamente a figueira secou. À vista disto, os discípulos ficaram estupefatos e disseram: Como ficou seca num instante a figueira?! 21.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos declaro que, se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis o que foi feito a esta figueira, mas ainda se disserdes a esta montanha: Levanta-te daí e atira-te ao mar, isso se fará... 22.Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis.

Jesus é desafiado pelo Sinédrio - Mt 21,23-27
     23.Dirigiu-se Jesus ao templo. E, enquanto ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se e perguntaram-lhe: Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade? 24.Respondeu-lhes Jesus: Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu vos direi com que direito o faço. 25.Donde procedia o batismo de João: do céu ou dos homens? Ora, eles raciocinavam entre si: Se respondermos: Do céu, ele nos dirá: Por que não crestes nele? 26.E se dissermos: Dos homens, é de temer-se a multidão, porque todo o mundo considera João como profeta. 27.Responderam a Jesus: Não sabemos. Pois eu tampouco vos digo, retorquiu Jesus, com que direito faço estas coisas.

Parábola da vinha - Mt 21,33-43
     33.Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. 34.Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. 35.Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36.Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. 37.Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho.

     38.Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança! 39.Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. 40.Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores? 41.Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo. 42.Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)? 43.Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele.

Os impostos - Mt 22,15-22
     15.Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras. 16.Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens. 17.Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César? 18.Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas? 19.Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário. 20.Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição? 21.De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. 22.Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o, retiraram-se.


O mandamento mais importante - Mt 22,34-40
     34.Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se 35.e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: 36.Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 37.Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). 38.Este é o maior e o primeiro mandamento. 39.E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). 40.Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

Jesus e os mestres da lei - Mc 12,38-44
     38.Ele lhes dizia em sua doutrina: Guardai-vos dos escribas que gostam de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas 39.e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes. 40.Eles devoram os bens das viúvas e dão aparência de longas orações. Estes terão um juízo mais rigoroso. 41.Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias. 42.Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um quadrante. 43.E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre, 44.porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento.

A vinda do Filho do Homem - Mc 13,24-32
     24.Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor; 25.cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. 26.Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória. 27.Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu. 28.Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão. 29.Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas. 30.Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31.Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. 32.A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.

Parábola dos talentos - Mt 25,14-30
     14.Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens. 15.A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu. 16.Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco. 17.Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois. 18.Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. 19.Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas. 20.O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. 21.Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor. 22.O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei. 23.Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor. 24.Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25.Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence. 26.Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. 27.Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu. 28.Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez. 29.Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter. 30.E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

Parábola do grande julgamento - Mt 25,31-46
     31.Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 32.Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33.Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34.Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, 35.porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; 36.nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. 37.Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? 38.Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? 39.Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? 40.Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. 41.Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. 42.Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; 43.era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. 44.Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? 45.E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. 46.E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.

Jesus fala de sua morte - Mt 26,1-5
     1.Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos: 2.Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado.
     3.Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, 4.e deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar. 5.E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo.

Preparação para a ceia - Mt 26,17-19
     17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa.

Jesus lava os pés dos discípulos - Jo 13,1-17
     1.Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou. 2.Durante a ceia, o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de trair Jesus. 3.Sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava. 4.Então Jesus levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. 5.Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6.Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!... 7.Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. 8.Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. 9.Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10.Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!... 11.Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
     12.Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? 13.Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.

Instituição da Eucaristia - Lc 22,14-20
     14.Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. 15.Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. 16.Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. 17.Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. 18.Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. 19.Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. 20.Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós.

Judas é revelado traidor - Jo 13,18-30
     18.Não digo isso de vós todos; conheço os que escolhi, mas é preciso que se cumpra esta palavra da Escritura: Aquele que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar. 19.Desde já vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais e reconheçais quem sou eu. 20.Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
     21.Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de trair!... 22.Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava. 23.Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus. 24.Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala. 25.Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é? 26.Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27.Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa. 28.Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por que motivo lho dissera. 29.Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres. 30.Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em sair. E era noite...

Um novo mandamento - Jo 13,31-35
     31.Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele. 32.Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.
     33.Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir. 34.Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. 35.Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

A videira - Jo 15,1-8
     1.Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 2.e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 3.Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 4.Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5.Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6.Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 7.Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 8.Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Permanecei no meu amor - Jo 15,9-17
     9.Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10.Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 11.Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12.Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13.Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14.Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15.Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16.Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. 17.O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

Jesus é preso - Mt 26,30-56
     30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas. 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo.
     36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo... 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
     42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores... 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.
     47.Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48.O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! 49.Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. 50.Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. 51.Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. 52.Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. 53.Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? 54.Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?
     55.Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. 56.Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram.

Jesus perante o Sinédrio - Jo 18,12-14, 19-24
     12.Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram. 13.Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. 14.Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo. 19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20.Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. 21.Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei. 22.A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? 23.Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates? 24.Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.

Julgamento por Caifás - Mt 26,57-68
     57.Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. 58.Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo.
     59.Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. 60.Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. 61.Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. 62.Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? 63.Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? 64.Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu. 65.A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! 66.Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte! 67.Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, 68.dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?

Pedro nega Jesus - Mt 26,69-75
     69.Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. 70.Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. 71.Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. 72.Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. 73.Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. 74.Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. 75.Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.

Condenação pelo conselho - Mt 27,1-2
     1.Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. 2.Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.

Suicídio de Judas - Mt 27,3-10
     3.Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, 4.dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! 5.Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. 6.Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue. 7.Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. 8.Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue. 9.Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel; 10.e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito.

Jesus, o rei dos judeus - Jo 18,33-37
     33.Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? 34.Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? 35.Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? 36.Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. 37.Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.

Jesus perante Pilatos - Lc 23,1-7
     1.Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos, 2.e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei. 3.Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim. 4.Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma. 5.Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
     6.A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. 7.E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.

Jesus perante Herodes - Lc 23,8-12
     8.Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. 9.Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu.
     10.Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência. 11.Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos. 12.Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.

Jesus novamente perante Pilatos - Lc 23,13-25
     13.Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: 14.Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. 15.Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. 16.Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar. 17.[Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.] 18.Todo o povo gritou a uma voz: À morte com este, e solta-nos Barrabás. 19.(Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.) 20.Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, 21.mas eles vociferavam: Crucifica-o! Crucifica-o! 22.Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei. 23.Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam. 24.Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo. 25.Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.

Escárnio pelos soldados romanos - Mt 27,27-31
     27.Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. 28.Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. 29.Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! 30.Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. 31.Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar.

Jesus é crucificado - Mt 27,32-44
     32.Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 33.Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio. 34.Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber. 35.Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte. 36.Sentaram-se e montaram guarda. 37.Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. 38.Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 39.Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: 40.Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! 41.Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: 42.Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! 43.Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus! 44.E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.

Jesus morre na cruz - Mt 27,45-56
     45.Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. 46.Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? 47.A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias. 48.Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 49.Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. 50.Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. 51.E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. 52.Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. 53.Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.
     54.O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! 55.Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. 56.Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Sepultura de Jesus - Mt 27,57-66
     57.À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, 58.foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. 59.José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco 60.e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora. 61.Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo.
     62.No dia seguinte - isto é, o dia seguinte ao da Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos juntos à casa de Pilatos. 63.E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei. 64.Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira. 65.Respondeu Pilatos: Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis. 66.Foram, pois, e asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas.

Maria Madalena visita o sepulcro - Jo 20,1-18
     1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
     3.Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro. 4.Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5.Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou. 6.Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. 7.Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
     8.Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu. 9.Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos. 10.Os discípulos, então, voltaram para as suas casas.
     11.Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro. 12.Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13.Eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
     14.Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. 15.Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar. 16.Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre). 17.Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. 18.Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.

Relato dos guardas - Mt 28,11-15
     11.Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes. 12.Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes: 13.Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis. 14.Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades. 15.Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus.

Jesus aparece a dois discípulos - Lc 24,13-35
     13.Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 14.Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. 15.Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. 16.Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram. 17.Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes? 18.Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias? 19.Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 20.Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21.Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. 22.É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; 23.e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. 24.Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.
     25.Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! 26.Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória? 27.E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
     28.Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. 29.Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. 30.Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. 31.Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu. 32.Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? 33.Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam. 34.Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão. 35.Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.

Jesus aparece aos apóstolos - Lc 24,36-49
     36.Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! 37.Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. 38.Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? 39.Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho. 40.E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41.Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer? 42.Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado. 43.Ele tomou e comeu à vista deles.
     44.Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. 45.Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46.Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47.E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48.Vós sois as testemunhas de tudo isso.
     49.Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.

Jesus aparece novamente aos apóstolos - Jo 20,24-31
     24.Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25.Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!
     26.Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! 27.Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. 28.Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! 29.Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!
     30.Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. 31.Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

Jesus aparece aos discípulos - Jo 21,1-19
     1.Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo: 2.Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos. 3.Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe eles: Também nós vamos contigo. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam.
     4.Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o reconheceram. 5.Perguntou-lhes Jesus: Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer? Não, responderam-lhe. 6.Disse-lhes ele: Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. 7.Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas. 8.Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados). 9.Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão. 10.Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. 11.Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
     12.Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousou perguntar-lhe: Quem és tu?, pois bem sabiam que era o Senhor. 13.Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe.
     14.Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado.
     15.Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 16.Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 17.Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. 18.Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. 19.Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me!

A grande comissão - Mt 28,16-20
     16.Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. 17.Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda. 18.Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. 19.Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 20.Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

Ascensão de Jesus - Mc 16,14-20
     14.Por fim apareceu aos onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado. 15.E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. 16.Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17.Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, 18.manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados. 19.Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus. 20.Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Obras de Jesus - Jo 21,25
     25. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.

Primeira Comunidade - At 1,12-26
     12.Voltaram eles então para Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado. 13.Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. 14.Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
     15.Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: 16.Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. 17.Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério. 18.Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. 19.(Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.) 20.Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo. 21.Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, 22.a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição.
     23.Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. 24.E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste 25.para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar. 26.Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.

Conversão de Saulo - At 9,1-20
     1.Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes, 2.e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina.
     3.Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.
     10.Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor, numa visão, lhe disse: Ananias! Eis-me aqui, Senhor, respondeu ele. 11.O Senhor lhe ordenou: Levanta-te e vai à rua Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso, chamado Saulo; ele está orando. 12.(Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.) 13.Ananias respondeu: Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém. 14.E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome. 15.Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. 16.Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome. 17.Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo. 18.No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado. 19.Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
     20.Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.

Martírio de Tiago e prisão de Pedro - At 12,1-4
     1.Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. 2.Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. 3.Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. 4.Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.

Pedro é libertado por um anjo - At 12,5-19
     5.Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. 6.Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. 7.De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. 8.O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. 9.Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. 10.Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
     11.Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus. 12.Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração. 13.Quando bateu à porta de entrada, uma criada, chamada Rode, adiantou-se para escutar. 14.Mal reconheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, foi anunciar que era Pedro que estava à porta. 15.Disseram-lhe: Estás louca! Mas ela persistia em afirmar que era verdade. Diziam eles: Então é o seu anjo. 16.Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos. 17.Ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: Comunicai-o a Tiago e aos irmãos. Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar. 18.Logo que amanheceu, houve um sobressalto pouco comum entre os soldados sobre o que acontecera a Pedro. 19.Herodes, procurando-o e não o achando, instaurou um processo contra os guardas e mandou supliciá-los. Em seguida, desceu da Judéia para Cesaréia, onde permaneceu.

Morte de Herodes - At 12,20-25
     20.Estava Herodes em conflito com os habitantes de Tiro e de Sidônia. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele, e, com o favor de Blasto, que era camareiro do rei, pediram a paz. (Porque a sua região era abastecida por ele.) 21.No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução. 22.O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem! 23.No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou. 24.Entretanto, a palavra de Deus crescia e se espalhava sempre mais. 25.Tendo Barnabé e Saulo concluído a sua missão, voltaram de Jerusalém (a Antioquia), levando consigo João, que tem por sobrenome Marcos.

Volta de Jesus - Ap 22,6-21
     6.Ele me disse: Estas palavras são fiéis e verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve. 7.Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro. 8.Fui eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava. 9.Mas ele me disse: Não faças isto! Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.
     10.Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. 11.O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. 12.Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. 13.Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. 14.Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. 15.Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!
     16.Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã.
     17.O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!
     18.Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro; 19.e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro.
     20.Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém! Vem, Senhor Jesus!
     21.A graça do Senhor Jesus esteja com todos. Amém!

Ministério de Jesus
     Jesus desenvolveu seu ministério principalmente na Galiléia, tendo feito de Cafarnaum uma de suas bases evangelísticas e se deslocando várias vezes a Tiberíades pelo Mar da Galiléia. Esteve também em cidades como Samaria, na Judéia e sobretudo em Jerusalém logo antes de sua crucificação. Esteve em outros lugares de Israel, chegando a passar brevemente por Tiro e por Sidom, cidades da Fenícia.
     Os principais temas da pregação de Jesus foram, de acordo com os Evangelhos, o anúncio do Reino de Deus, o perdão divino dos pecados e o amor de Deus. Expostos, entre outros, nas inúmeras parábolas e ações de Jesus, na oração do Pai-Nosso, nas Bem-aventuranças e na chamada regra de ouro. Jesus resumiu também "toda a Lei e os Profetas" do Antigo Testamento em apenas dois mandamentos fundamentais, a saber: "Amar a Deus de todo coração, de toda alma e de todo espírito e ao próximo como a ti mesmo" (Mateus 22,37-39).
     Além destes ensinamentos, alguns dos quais eram recorrentes nos pregadores da época, Jesus ensinou um novo mandamento: "amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo" (João 15,12). Este mandamento é considerado o fundamento de todos os outros mandamentos e ensinamentos dos cristãos e, para alguns, também de toda a Revelação divina.

Palestina nos tempos de Jesus